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Pitanga, Pr, Brazil
Educação Formal Universitária: 2 Cursos (em áreas distintas); 2 Especializações; 1 Mestrado.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

STF, denúncias no Fantástico, reeleição...

                 Crônica do Dia 03 de setembro de 2012

                       Pois bem, caros ouvintes da Rádio Poema e leitores de meu Blog. Neste dia, segunda-feira, o STF continuará o julgamento de mais 04 réus do processo do conhecido “mensalão”, e que os envolvidos teimam em querer que todo o mundo chame de Ação Penal 470, como se isso fizesse alguma diferença. Com um ou outro nome, o que se trata é de corrupção mesmo, da pesada, de roubo de dinheiro público – esse dinheiro público não é nenhum “ente abstrato”, boitatá ou lobisomem. Dinheiro público é esse mesmo que faz com que o Brasil tenha, senão a maior, com certeza uma das maiores taxas de impostos do mundo, e para o qual nós brasileiros, trabalhamos 05 meses do ano só para pagar os impostos.
                    Quando se vê, portanto, o mais alto órgão da Justiça do Brasil, não ter se deixado levar pelas pressões do poder, tendo à frente o ex-Presidente Lula, procurando deixar tudo como está e aumentando a sensação de impunidade a que estamos acostumados, vemos, com o STF, uma luz brilhar no fim do túnel.
                   Quem teve a oportunidade de assistir o Fantástico ontem à noite, continua vendo notícias de roubos e mais roubos. Mas, ao contrário do que querem fazer crer alguns setores de governo, essas denúncias são muito importantes, porque, por serem divulgadas para todo o país, faz com que venham ministros e outros membros do Governo, dar conta à nação e prometer providências urgentes. No Fantástico, ontem, foi a vez de roubos no SUS, com consultas frias, exames, até em crianças e idosos, que nunca existiram, remédios nas Farmácias Populares que foram pagos pelo sistema de saúde mas nunca foram vendidos...
                   Isso tudo, já de muito tempo vem acontecendo. O que parece certo é que o Brasil de bem, aquele Brasil honesto e cumpridor de suas obrigações, com o exemplo da maior corte do país, com denúncias por órgãos de comunicação importantes, obrigando a que sejam tomadas as providências, pode começar a melhorar as coisas. Não deixa de ser uma renovação de atitudes e atos, no sentido de combate à corrupção e de serem penalizadas as pessoas que cometem os ilícitos, independentemente de serem pobres ou ricos, humildes ou poderosos. O Brasil precisa de uma  renovação para novos tempos, desvinculando-se desses costumes viciados.
                 Isso tudo é muito importante para os brasileiros de bem, para toda a nação. Só que estes exemplos citados, do julgamento pelo STF, das denúncias de crimes por órgãos de comunicação, não está diretamente nas mãos de nós, humildes mortais, a população comum das comunidades e municípios brasileiros.
                Já o que as campanhas veiculadas por estes órgãos, tais como algumas que já citei aqui, como a das Eleições Limpas, do Voto Cidadão, e outras, estimuladas pela Associação de Magistrados do Brasil, pelo Tribunal Superior Eleitoral, por exemplo, colocam em nossas mãos, nas mãos de todos os eleitores, ajudarem na construção de um Brasil melhor
             E de que forma? Induzindo os eleitores a votarem bem, não venderem seus votos, a denunciarem a compra de votos e o abuso de poder nestas eleições.
            Outra reflexão que se faz e que, também já foi abordada aqui, é o próprio instituto da reeleição. Um órgão sério de análise e pesquisa, o IPEA  ( Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada)= no estudo “Desafios do Desenvolvimento”, de Cláudio Ferraz, diz:
 

"Em municípios pequenos, o controle social sobre o gasto público é mais difícil e isso abre caminho para práticas de clientelismo e corrupção" e continua:
             

                 “A transferência da responsabilidade pela provisão de bens e serviços públicos, feita aos municípios na Constituição de 1988, pode ter melhorado a alocação de gastos públicos, mas também aumentou a quantidade disponível de recursos para ser apropriados ilegalmente por políticos locais. Em municípios pequenos, onde grande parte da população tem baixo nível de escolaridade, o controle social sobre o gasto público é mais difícil e facilita práticas de clientelismo e corrupção.
                 Assumindo que os eleitores têm informação imperfeita sobre a capacidade e a disciplina dos políticos, os modelos predizem que tentarão evitar atos de corrupção num primeiro mandato, para assim aumentar suas possibilidades de reeleição e, com isso, a apropriação de rendas públicas por meio de práticas corruptas num segundo mandato.” (Cláudio Ferraz é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e é doutorando da Universidade da Califórnia – Berkeley).
 
        Para muitos especialistas, a reeleição gera corrupção. Segundo ex-ministro do TSE, experiência da reeleição no Brasil é 'nefasta', conforme noticiaram Amauri Arrais e Maria Angélica Oliveira, Do G1, em São Paulo. “Se aprovado, o projeto de emenda à Constituição que propõe o fim da reeleição para cargos do Executivo pode encerrar uma experiência descrita como “nefasta” e “negativa” por um ex-ministro do TSE:
                    No Brasil, a experiência da reeleição é nefasta. A corrupção nas administrações municipais e estaduais é potencialmente maior para facilitar a reeleição de prefeitos e governadores”, afirma o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (1992-1996) Torquato Jardim. 
                        Isso ocorre, segundo o advogado, devido à grande concentração de poderes nas mãos dos governantes, da qual a reeleição se torna um “agente catalizador”. E explica: “No modelo gerencial brasileiro, o chefe executivo concentra tanto poder que se torna um imperador com mandato. E isso vai desde a merenda escolar até as usinas siderúrgicas, petroquímicas e automotivas. Em síntese, a reeleição no Brasil, especialmente nos estados e municípios, é a exacerbação da corrupção”, afirma.  O Ex-procurador da República e autor de várias obras constitucionalistas, Daniel Sarmento, também é favorável ao fim do instituto da reeleição. “No Brasil, por uma série de questões, como o uso da máquina pública [em campanhas eleitorais], a reeleição não tem se revelado positiva e seria bom que uma emenda a extinguisse”.