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Pitanga, Pr, Brazil
Educação Formal Universitária: 2 Cursos (em áreas distintas); 2 Especializações; 1 Mestrado.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Seria apenas risível, não fosse a seriedade misturada com insensatez...

                        Não estou conseguindo produzir boas postagens de minha propria lavra (se é que produzi alguma...), mas agora, pior ainda. Por problema pessoal de saúde (infarto) é que vai demorar um pouco mais.
                       Entretanto, não gostaria de deixar na mão os poucos leitores, com arquivos selecionados e transcritos dos, cerio eu, melhores jornalistas blogueiros do país.
                              Então, vamos lá

          
03/03/2012 – Blog do Augusto Nunes

MINHA CASA, MINHA DILMA: NAS MORADIAS DE PAPEL CONSTRUÍDAS PELA SUPERGERENTE, NENHUMA IDEIA FICA DE PÉ

Celso Arnaldo Araújo

                Trazida à superexposição de uma improvável candidatura a presidente, sem escalas, direto dos subterrâneos da Casa Civil, onde a supergerente de lendária eficiência comunicava-se apenas por interjeições, imprecações e pitos sumários, ela acusou o choque quando pisou o primeiro palanque e enfrentou o primeiro microfone.
              Convidada a revelar aos brasileiros sua visão dos problemas nacionais, o espanto que se ouviu, na fala de Dilma Roussef, está fartamente documentado nos arquivos desta coluna. Fosse num palanque improvisado no sertão do Piauí ou no estúdio high-tech do Jornal Nacional no Jardim Botânico, a candidata de Lula se expressava em língua estranha, espécie de patois brasileiro, incomum em pessoa de formação universitária, investida de funções dessa importância e apresentada ao país como a primeira possibilidade de uma presidente mulher.
            Começando pela dificuldade extrema em fazer uma mera saudação aos presentes ou aos ouvintes (“Oi, internautas), qualquer manifestação sua, sobre qualquer assunto, dos estritamente pessoais aos temas técnicos de apregoado domínio, esbarrava em raciocínios embotados por graves problemas de concatenação de ideias, redundância e desinformação, conseguindo reunir na mesma oração um tratado de vícios de linguagem: barbarismos, ambiguidades, cacofonias, vulgarismos, solecismos, obscuridades, apedeutismos. O dilmês causou um susto nos brasileiros que ouvem e pensam – só nesses, é claro.
              Não pela oratória em si. Há pessoas preparadíssimas que não se expressam bem – preferíveis, por sinal, às que dão um show de palavreado para camuflar a falta de conteúdo. Mas o problema de Dilma parecia mais complexo. A forma primitiva da fala da candidata traía – o que era evidente, pela repetição sistemática – o primarismo do pensamento e um despreparo generalizado. Dilma não apenas falava mal – mas parecia não saber do que falava.
             Eleita presidente assim mesmo, e no cargo há mais de um ano, já deveria a esta altura ter se beneficiado de um dos apanágios do cérebro humano: o aprimoramento pela repetição. Dilma, no entanto, piora a cada dia – e a desarticulação de seu governo talvez seja produto de sua incapacidade de pensar e verbalizar o Brasil. Quando fala, Dilma invariavelmente é um triste espetáculo de pensamentos rudimentares, expressos por uma combinação de palavras que desafiaria estudiosos da neurolinguística em aborígenes australianos.
             Mas o discurso que fez semana passada, por ocasião da entrega de 480 unidades do Minha Casa Minha Vida em Recife, é de longe o “state of the art” do dilmês, talvez o pior discurso de todos os tempos – dela e em escala mundial, em nível presidencial.  Saísse de Obama, Santorum já poderia preparar seu altarzinho na Sala Oval da Casa Branca. De Sarkozy, e Dominique Strauss-Khan estaria autorizado a ir ao Palácio do Eliseu e ali montar uma suíte pare receber a camareira guineana como sua primeira-dama.
                ‘EU QUERIA CUMEÇÁ COMPRIMENTANDO’
                  O assunto do dia: a casa própria. Ou própia, segundo Dilma. O Minha Casa Minha vida é uma das meninas dos olhos vesgos de seu governo e, desde a campanha, um terreno minado para os limites do dilmês. Ela não vai sossegar enquanto não conseguir convencer todo brasileiro de que é melhor morar numa casa própria do que debaixo da ponte e que uma casa é mais do que uma casa. De discursos de campanha, guardei este trecho:
               – Porque não é a casa. É o que tem dentro da casa, são as pessoas, né, o significado pra você duquequié tê uma casa e eu acho que é isso que faz com que a gente tem força prá continuá brigano, prá continuá, é, fazendo acontecê aquilo que a gente qué, que é que esse país cresça. É isso que eu acho que a gente qué.
               Desde então, ela vem trabalhando o conceito. Em Recife, chegou perto da perfeição, já a partir do introito em legítimo dilmês:
                “Eu queria cumeçá (sic) comprimentando (sic) as mulheres aqui presentes”.
Como se nota, promessa de um discurso UÓ.
Mas a média troncha feita com as mulheres merece complemento:
“Eu comprimento também nossos companheiros, queridos, nossos companheiros homens”.
Sente necessidade de explicar porque a mulher foi “comprimentada” primeiro:
           “Estou cumeçando pela mulher porque aqui hoje nós tamos falando de casa. Quando a gente fala de casa, a gente fala de mulher e de criança, de família. Por isso, o meu abraço a cada uma das mães e também dos nossos pais aqui presentes”.
A imprensa comeu mosca: Peter Roussev estava na plateia e não foi notado.
Em seguida, bela puxada no governador Eduardo Campos e no prefeito de Recife e uma definição estapafúrdia sobre a palavra oportunidade – mas releve. Nosso assunto é a casa própria e agora ela se refere a uma das moradoras que haviam há pouco recebido a chave.
            “A Márcia fala aquilo que toda a mulher fala quando se trata de defendê sua família”.
Eleitoras de Dilma são assim: quem fala é toda a mulher, a mulher inteira, corpo e alma integrados.
Mas fala o quê? Vejamos:
           “O quequié que uma mulher qué? A mulher qué uma casa para morar e criar seus filhos, criá com sigurança seus filhos”,
Não é à toa que o lulismo descobriu o Brasil. Só neste governo “além do emprego, que é fundamental pra se mantê as famílias (…), a outra coisa fundamental é a casa própia (sic)”. Não ficou claro? Dilma explica:
          “É onde morar”.
Mas isso parece tão óbvio. Porque ninguém pensou em casa própria antes, presidente? O Brasil era um país de aluguel?
      “Naquela época, falar no Brasil que a gente ia fazer um programa da casa própia (sic) para a população brasileira era um verdadeiro escândalo. Primeiro, uma parte dizia que era impossível, que a gente não ia fazer. A outra parte dizia que não ia dar certo”.
                 ‘O GOVERNO TEM DE PARTICIPA’
Ou seja: as duas partes diziam a mesma coisa. Por isso, os 22 anos de atuação do Banco Nacional da Habitação e os 25 anos seguintes em que a Caixa Econômica Federal financiou imóveis populares foram despejados da história pelos senhorios do Minha Casa Minha Vida. Um escândalo.
O que mudou com o MCMV? Dilma explica, tão clara como cristal:
             “O quequié que a nossa sensibilidade política determinou? Que era para que o povo pudesse ter casa, o governo tinha de ajudá. Um simples raciocínio: é impossível, com o preço das casas, o pessoal comprá casa sozinho. Então, o governo tem de participá”.
Como ninguém pensou nisso antes? E mudou também a mecânica de financiamento, presidente? Bidu.
           “É o governo passando dinheiro não para quem constrói a casa, mas para quem compra a casa. O dinheiro sai da Caixa Econômica e vai direto pra aquele que compra a casa”.
Quer dizer que os felizardos do Minha Casa Minha Vida ficam com a casa e levam também um bônus equivalente em dinheiro? É isso? Não é à toa que , como disse Dilma no histórico discurso do Recife, 
         “iniciamos com um milhão de moradias, passamos pra dois milhões de moradias e novamente passaremos pra mais moradias”.
Nunca se gastou tanto papel ofício em Brasília.
                PIORES MOMENTOS DO ÚLTIMO CAPÍTULO
Mas não é só. Não perca, a seguir, em “Minha Casa, Minha Dilma II, a missão”:
            *A política do “se virem”, segundo Dilma: “Aquela política que entrega pro povo o problema que ele não pode resolvê”
           *A cidade é uma coisa fundamental: ”Nós não podemos abandonar, não podemos deixá as nossas cidades degringolarem, que aonde a gente more não tenha aquele cuidado que a gente coloca na casa da gente”
            *Dúvida cruel da presidente: “Cumé que sai de casa e vai trabalhá, cumé que sai de casa e vai passeá?”
              *A frase do século: “O Brasil não pode pará”.

                           Link para o vídeo:
     
Obs: tem, ainda, a continuação (publicada dia 04 e que vem a seguir)
04/03/2012

Celso Arnaldo conclui a antológica implosão do pior discurso de todos os tempos

MINHA CASA, MINHA DILMA II, A MISSÃO: RECIFE, CIDADE COM GRANDE CONCENTRAÇÃO DE BRASILEIROS E BRASILEIRAS, TEM DOIS RIOS QUE DERAM ORIGEM AO OCEANO ALTÂNTICO ─ E UM DELES VAI DESLUMBRAR OS ESTRANGEIROS QUE FREQUENTAM VENEZA
Celso Arnaldo Araújo

                “Quem não tem casa no Brasil?”, pergunta a presidente aos 11:13 do vídeo do já histórico discurso do Recife, com os indicadores em riste enfatizando a poderosa indagação. A pergunta evidentemente se vale de um recurso estilístico próprio de grandes oradores: a retórica. A resposta é dispensável: milhões de pessoas não têm casa no Brasil – e mais de 95% da plateia do discurso pertence a essa categoria. Mas um espírito de porco aceita o repto da inflamada presidente:
          ─ Eu!
A reação popular a desconcerta, deixando-a literalmente boquiaberta, o dedo no ar desacompanhado da palavra suspensa na última hora. Mas Dilma tira o incidente de letra ─ letras são sua especialidade.
          ─ Ah, é você!!
E passa a responder ao único recifense que não tem casa. Pergunta que não quer calar: por que, antes do Minha Casa Minha Vida, uma pessoa que não tinha casa não tinha casa, presidente?
         “Porque não conseguia comprá casa. Por um motivo muito simples: não conseguia comprá casa”.
Tantos economistas com PhD quebrando a cabeça para explicar o déficit habitacional brasileiro e foi preciso uma doutora sem doutorado para explicar-lhes o fenômeno em dilmês: agora, com o Minha Casa Minha Vida, todo brasileiro consegue comprar sua casa. A lógica de Dilma é tão meridiana que custa acreditar que o MCMV ainda não tenha dado certo: 480 casas do PAC 2 aqui, outras 500 do 1 ali, ele – como a presidente se refere ao programa trimilionário – ainda está muito longe de seu primeiro milhão.
Mas, justiça seja feita, ela admite que ainda falta um pouco para que os “190 milhões” sejam proprietários:
         “É visível que nem todos que precisam tenham ainda acesso à casa. Mas também é visível que cada vez mais nós estamos vendo as pessoas, as famílias, as mulheres, aparecerem e terem acesso a sua casa”.
Dilma parece estimular uma nova política de vizinhança à brasileira, na qual pessoas, mulheres e famílias inteiras aparecem na porta de nossas casas, querendo entrar.
A economista então pede licença à presidente – quando nada, para justificar por que não conseguiu levar adiante o doutorado em economia:
         “Nós somos reconhecidos como um dos países mais estáveis, que crescem e que distribuem renda. Pra vocês terem uma ideia, muitos países crescem. Mas na maioria desses países que crescem, a renda não se distribui, ela se concentra: uns ficam mais ricos e outros ficam pobres”.
É o caso da Dinamarca, mas não do Brasil, onde, segundo Dilma, “o povo cresce junto, o povo não fica pra trás”.
              ‘CUMÉ QUE VAI TRABALHÁ’
        Uma velha lição de mestre Ulysses – aquele que, como disse Dilma um dia, “escreveu o verso navegar é preciso” — nos dá conta de que as pessoas não moram na União ou no estado, mas no município. Uma lição que a supergente reescreve a seu modo:
         “Outra coisa muito importante são as nossas cidades. São as nossas cidades”.
Tão importante que Dilma deixou o Ministério das Cidades a cargo de duas nulidades suspeitas, mantendo Mario Negromonte e depois nomeando Aguinaldo Ribeiro. Mas a importância de fato começa pela cidade-anfitriã do discurso:
          “Recife, capital de Pernambuco, e toda a região metropolitana do Recife são um dos grandes polos de concentração de brasileiros e brasileiras neste país”, diz a presidente, desmentindo os saudosistas que ainda veem holandeses e holandesas dominando a cidade.
E Dilma, que fala de um Recife como jamais sonhou Gilberto Freire, dá um tapa na cara de quem critica seu vocabulário limitado:
         “Nós não podemos relegá, nós não podemos abandoná, nós não podemos deixá as nossas cidades degringolarem, nós não podemos deixá-la entrar em decadência, nós não podemos deixá que aonde a gente mora não tenha aquele cuidado que a gente coloca na casa da gente”.
Sem indicar se existe alguém que pensa diferente disso, a presidente fala de um investimento de 2 bilhões de reais na cidade para melhorar o direito de ir e vir dos recifenses:
       “Uma das questões principais pra quem mora e pra quem trabalha numa cidade é como se movimentá. Cumé que sai de casa e vai trabalhá, cumé que sai de casa e vai passeá. Essa questão é fundamental numa cidade”.
Pessoas da plateia acusam um choque. Mas não com o fio desencapado do dilmês – foi o cabo de microfone. Um passinho pra trás, a seu pedido, e o problema é contornado:
          “Ô, povo bom!”, celebra a presidente.
“Olé, olé, olá, Dilmá, Dilmá!”.
          ONÇA NORDESTINA
Dilma agradece o carinho da plateia com uma notícia em primeira mão: Recife passará a ser banhada pelo Rio Tâmisa.
        “Nós vamos transformar o Rio Capibaribe numa estrada, num caminho, numa rua fluvial”.
O rio, aliás, junto com seu irmão Beberibe, está mitologicamente destinado a um upgrade oceânico – no folclore das origens do Recife, os dois rios deram origem ao Atlântico. E Dilma deve ter ouvido falar nisso:
        “Uma cidade que foi construída porque aqui tinha dois rios que formava (sic) o Oceano Atlântico tem de valorizar esses rios”.
O novo Capibaribe criado com ajuda do governo federal confirmará, na prática, o apelido de Veneza brasileira cunhado para Recife com algum exagero. Não faltarão as gôndolas:
            “Posso dizer pra vocês que muitos brasileiros e estrangeiros virão aqui só pra andar de barco no Rio Capibaribe. Vocês vão usá como transporte. Nós vamos vim aqui e aproveitá da beleza também”.
Bolsa de apostas já formada: o que correrão primeiro, os barcos de passageiros da Capibaribe Highway, os trens da Transnordestina ou as águas da Transposição do Rio São Francisco?
No final da histórica apresentação, os pleitos e as lágrimas de muitos dos presentes – moradores do antigo conjunto habitacional de Muribeca, na Grande Recife, conhecidos como prédios-caixão, que estão se desfazendo – trazem tensão ao ambiente de festa da casa própria, aliviada pela promessa de Dilma de acionar a Caixa Econômica para incluir as vítimas, com prioridade, no MCMV.
          “Para o Minha Casa Minha Vida tem um critério: nós atendemos primeiro aqueles que correm risco”.
Aqui, pela primeira vez ao longo do discurso do Recife, leve-se a saudável promessa presidencial a sério – para posterior cobrança, também a sério.
E, igualmente a bem da justiça, ressalte-se que, quando Dilma menciona em seguida as taxas de crescimento do Nordeste, próprias dos tigres asiáticos, usa uma figura de linguagem que soa bastante aceitável:
        “Nós temos aqui uma onça nordestina”.
Taí, nada a reclamar: a imagem é boa, a frase tem começo, meio, fim e um miolo.
Um golzinho de honra, legal, na lavada impiedosa que levou o dilmês no palanque dos aflitos.
 

               Lançado em abril de 2007, o programa ProInfância resultou na celebração de 4.035 acordos do Ministério da Educação com prefeituras. Prevêem a construção de creches e pré-escolas com verbas federais. Oficialmente, o governo diz que foram entregues 633 unidades até o mês passado. Em verdade, apenas 221 estavam realmente prontas.
          Ou seja: além de anunciar a entrega de creches que não estão 100% prontas, o programa caminha a passos de tartaruga manca. Do total de 4.035 obras contratadas, apenas 4,99% foram realmente concluídas. Algo que acomoda no alto do telhado a promessa de Dilma Rousseff de abrir 6 mil novas creches nos seus quatro anos de mandato.
        Deve-se a revelação dos dados aos repórteres Demétrio Weber e Cássio Bruno. A dupla conta que a discrepância entre a propaganda oficial e a realidade decorre de um malabarismo estatístico. O MEC inclui no rol das obras concluídas aquelas com mais de 80% do cronograma executado.
           Por quê? Considera-se que, nesse estágio, as creches e pré-escolas já podem receber matrículas e funcionar. Na prática, da-se coisa diferente. Os repórteres visitaram, por exemplo, uma creche da cidade de Anápolis, em Goiás. Para o MEC, está 80,12% pronta. Poderia, portanto, funcionar.
              Na semana passada, havia no local 25 operários, não crianças. Os pisos interno e externo estão por assentar. A pintura está por concluir. Falta assenter a caixa d’água. Defronte do prédio, há uma placa com a logomarca do governo federal. Nela, lê-se o ano em que foi firmado o convênio (2009), o valor da obra (R$ 1,19 milhão) e a data de entrega da obra (3 de novembro de 2011). Já lá se vão quatro meses de atraso.
               Em 18 de janeiro, Dilma Rousseff esteve no município de Andra dos Reis, na região serrana do Rio. Ao lado do governador Sérgio Cabral (PMDB) e do então ministro e quase candidato Fernando Haddad, a presidente “inagurou” uma creche. A pompa do evento tropeçou nas circunstâncias. A creche jamais funcionou. Hoje, atende provisoriamente a alunos de uma escola que está sendo reformada.
         Pelas contas do MEC, há no Brasil um déficit de 19.766 creches e pré-escolas. O IBGE contabilizava em 2010 9,5 milhões de crianças de até cinco anos desatendidas. O ProInfanciaprevê investimentos de R$ 7,6 bilhões até 2014, último ano do mandato de Dilma. Quem vê a cifra se impressiona. Quem repara no andamento do programa é assaltado pelo desânimo. Onde a coisa já funciona, a impressão é boa.

05/03/2012

E o PAC empacou no trocadilho da governanta… Na creche inacabada da Rocinha, vagas só para carros…

Por Rogério Daflon, no Globo:

                  Financiadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal e gerenciadas pela Empresa estadual de Obras Públicas (Emop), duas obras na Rocinha apresentam problemas que expõem falta de zelo do poder público. Localizada na Estrada da Gávea, a creche do PAC teve seu pátio transformado num grande estacionamento. 
                 Neste domingo, uma equipe do GLOBO contou 13 carros e 17 motos no local. A creche estava em fase de acabamento há cerca de um ano, quando os operários da Emop abandonaram a obra, e o lugar onde crianças deveriam brincar durante o recreio virou garagem. Numa das paredes da creche, está pintado o preço da mensalidade de uma vaga para moto (R$ 50). “Daqui a pouco sairemos daqui. A obra do PAC deve recomeçar - disse, sem se identificar, um homem responsável pela cobrança no estacionamento, que não quis informar quem teve a ideia de instalar ali o negócio”.
                Na mesma Estrada da Gávea, um prédio construído com recursos do PAC para abrigar uma biblioteca também tem problemas. Um imóvel vizinho, que foi desapropriado para ser demolido por estar sobre uma vala negra, acabou permanecendo de pé, adiando a obra de esgotamento sanitário que livraria os frequentadores da biblioteca de doenças e mau cheiro. As pessoas que moravam no prédio, de três andares, foram levadas para outras casas, mas, como a obra foi protelada, outras famílias chegaram. 
               Os moradores reabriram janelas e portas que haviam sido fechadas com tijolos justamente para evitar ocupações ilegais. “Vivemos aqui há oito meses com mais duas famílias - disse a diarista Janileide Bezerra, que mora com a mãe, o marido, a filha e uma neta. - Nós estávamos pagando aluguel e, agora, economizamos essa despesa. Mas isso é temporário”.
                Do outro lado da cidade, as obras do PAC do Complexo do Alemão, na Zona Norte, apresentam problemas semelhantes, segundo a assessoria da Emop. Mas naquela comunidade já existe um trabalho, coordenado pelo Escritório de Gerenciamento de Projetos (EGP) da Secretaria estadual da Casa Civil, no qual atuam assistentes sociais e engenheiros, para resolver essas questões e abrir caminho para a continuidade do PAC. “O governo estadual monitora essas situações na Rocinha e vai atuar efetivamente a partir da retomada das obras que vão complementar a primeira fase do PAC”, disse Ruth Julberg, coordenadora do trabalho social do EGP.
                  A assessoria da Emop informou que a licitação para a complementação da primeira fase do PAC na Rocinha será anunciada em um mês. O governo federal já assegurou recursos (R$ 49 milhões) para a conclusão das obras. Com isso, além da creche e do esgotamento sanitário ao lado da biblioteca, serão finalizados o plano inclinado - que fará a ligação do acesso principal (paralelo à autoestrada Lagoa-Barra) à Rua 1 - e a reurbanização do Largo do Boiadeiro e da Rua do Valão. As obras do PAC da Rocinha começaram há três anos e sete meses.
(…)
Por Reinaldo Azevedo
 

Manifesto já conta com 455 militares, 62 deles oficiais-generais. Não mudei de idéia: que se cumpra a lei! Os com farda e os sem-farda!

                     Chega a ser vergonhosa a cobertura que boa parte da imprensa dispensa à desnecessária truculência com que a presidente Dilma Rousseff e o ministro Celso Amorim (Defesa) decidiram avançar contra os militares da reserva que assinaram um documento de protesto contra a censura a um manifesto que havia sido redigido pelos clubes militares. Chamo a cobertura de “vergonhosa” por uma razão muito simples: há gente achando que o que está em julgamento é o direito de os militares darem um golpe! Isso é estúpido!
                   Há, reitero, uma lei que permite aos militares da reserva se manifestar nos termos em que se manifestaram. É mentira que tenham contestado a autoridade de Amorim. Eles afirmaram, e com razão, que o ministro não tinha autoridade no caso específico — isto é, para obrigar os clubes a retirar do ar o manifesto. No mais, fizeram o que Lei 7.524 permite, a saber:
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA,
faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei:
Art 1º Respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público.
                  O que vai aí é incontroverso. Qualquer punição aplicado pelos respectivos comandos será ilegal, como é ilegal a exigência de Dilma e Amorim. Falta de aviso não foi. Um episódio que poderia passar quase despercebido está virando uma bola de neve. Por quê? Porque Celso Amorim é aquele tipo de doutor que, ao perceber que um remédio piorou as condições do doente, manda dobrar a dose porque acredita que, com a convicção e o radicalismo, corrigirá um erro de diagnóstico.
Bem, meus caros, quando a dupla do barulho mandou punir os signatários do manifesto, havia apenas 98 militares, 13 deles generais. Às 18h30 de ontem, o protesto já reunia 647 adesões. Ao todo, são 455 militares — 61 deles oficiais-generais —, 1 desembargador do TJ-RJ e 191 civis.
                Atenção!
              
Não se trata de concordar com os dois textos ou de discordar de ambos. Não é isso o que está em debate. A questão é saber se a lei será ou não respeitada. Dilma e Amorim estão antecipando um clima ruim para a tal “Comissão da Verdade”. Ora, se um protesto de militares, feito no mais rigoroso cumprimento da legalidade, merece esse tratamento, quero ver o que virá depois, quando o proselitismo revanchista decidir que a Lei da Anistia e o STF não são de nada…
                Aqui e ali, referem-se aos militares da reserva como “milicos de pijama”, “saudosos da ditadura”, “reacionários”… Bem, apreço pela ditadura demonstra quem quer atropelar a lei para fazer valer a sua vontade; isso, sim, é reacionário; antes um “pijama” amparado na legalidade do que um terno ou um tailleur vestindo o arbítrio.
              Chega de papo-furado! Cumpra-se a lei! Ponto! Se decidirem não cumprir, que os punidos recorram à Justiça!
          PS - Gostaria de ver alguns coleguinhas a defender a tese de que, nesse caso em particular, a lei deve ser ignorada. Será um momento lindo do estado de direito! Coragem, valentes! Já há gente cantando as glórias até do infanticídio como a mais bela face do humanismo. Advogar que se jogue a lei no lixo é fichinha.

Por Reinaldo Azevedo
 

Enviado por Ricardo Noblat - 
4.3.2012

                         A saúde vai mal (Editorial)

O Estado de S. Paulo
                Direito de todos e dever do Estado, como garante a Constituição promulgada há quase um quarto de século, o adequado atendimento por programas públicos na área da saúde ainda não passa de mera aspiração para a grande maioria dos brasileiros.
               Embora a Constituição determine que esse direito deve ser assegurado por meio de políticas sociais e econômicas que reduzam o risco de doenças e estabeleça também que todos os cidadãos devem ter acesso a atendimento integral no campo da saúde, poucos brasileiros dispõem de serviços com um mínimo de qualidade.
              Criado para assegurar o cumprimento das normas constitucionais no campo da saúde pública, o Sistema Único de Saúde (SUS) consegue atender de maneira adequada menos de 2% da população. Em praticamente três quartos dos municípios o serviço pode ser considerado razoável. Em 20,7%, é ruim.
               Este retrato da baixa qualidade do atendimento pelo SUS, baseado em estatísticas e dados de diferentes procedências, foi feito pelo próprio governo. As mazelas nesse campo, apontadas ou sugeridas pelo novo indicador criado pelo Ministério da Saúde, desmentem a afirmação megalômana feita há cinco anos pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que "não está longe de a gente atingir a perfeição no tratamento de saúde neste país". 
                Essa perfeição, infelizmente, continua muito distante de milhões de brasileiros.
                Para avaliar os serviços prestados pelo SUS, o Ministério da Saúde criou o Índice de Desenvolvimento do SUS (IDSUS), baseado em 24 quesitos que avaliam, entre outros pontos, o acesso aos serviços, a população atendida pelas equipes básicas de saúde, a abrangência de ações como as ligadas à saúde bucal e à aplicação de vacinas em crianças com até 1 ano de idade.
                 Também é avaliada a qualidade dos serviços. Por ser difícil de avaliar, o estudo não considera o tempo de espera pelo atendimento.
               De uma escala que varia de 0 a 10, a média do País ficou em 5,47. É como se tivesse sido aprovado na tangente. É uma nota muito ruim tanto tempo depois de instituído o SUS.
               Não é apenas a média nacional que mostra um país no qual a saúde da população não anda bem. São imensas as disparidades da qualidade de serviços entre regiões e, dentro delas, entre alguns municípios e os demais. 
            POLÍTICA

               A saúde do governo

                  Com média de 5,47 no IDSUS, novo índice criado pelo governo para avaliar o Sistema Único de Saúde, o atendimento público à saúde dos brasileiros agoniza. Menos de 2% da população têm serviços avaliados acima de 7. Mais de 20% amargam o descaso absoluto. E não passam de razoável os cuidados com os 73% restantes. Bom mesmo, estamos em falta. Ótimo, nem sonhar.
                 Se a campeã Vitória e as cidades de Curitiba, Ribeirão Preto, Florianópolis e São José do Rio Preto são mostras de que é possível gerenciar bem os recursos do SUS, alguns resultados são de arrepiar. A cidade do Rio ostenta a lanterninha, com nota 4,33. Algo que provocou a ira ao prefeito Eduardo Paes, mas que pacientes cariocas dificilmente contestarão.
                 Não menos vexamosa é Brasília. Debaixo do nariz do poder, daqueles que podem se tratar em hospitais nobres paulistanos, a capital do país aparece com o quarto pior índice. Um resultado que materializa o fama de que “o melhor hospital de Brasília é ponte-aérea para São Paulo”.
               No SUS, São Paulo também está bem no filme: 10º lugar, com nota 6,21.
                Há de se elogiar o ministro Alexandre Padilha por expor as chagas do SUS. Um passo gigantesco para definir políticas e melhorar o atendimento. Mas isso não perdoa o governo que ele integra: os resultados danosos são fruto da absoluta inoperância e de promessas feitas e não cumpridas pela presidente Dilma Rousseff e seu ex.
                Lula adora botar a culpa de tudo no fim da CPMF, única grande derrota que sofreu no Senado. Mas ao prometer construir 500 UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) já sabia da rejeição popular ao imposto do cheque. Mais ainda: no palanque de Dilma, quando a CPMF já tinha caído, prometeu outras 500. No total, mil promessas, e apenas 131 UPAs estão funcionando.
                 O SUS é um sistema avançado. Sua concepção, que valoriza a gestão municipal e a saúde preventiva, é invejável. Mas ainda está longe da excelência proclamada por Lula em janeiro de 2010, quando, ao inaugurar uma UPA em Recife, boquirrotou: “dá até vontade de a gente ficar doente para ser atendido aqui.” Uma insanidade.
                   Queimou a língua. E muito.
                 Dilma manteve o mesmo diapasão. A Saúde teve o maior corte no orçamento de 2012. Os R$ 77, 582 bilhões previstos caíram R$ 72, 110 bilhões. Já gastos com pessoal continuaram crescendo. Neste ano batem R$ 203 bilhões, 80% do total dos recursos que o país prevê arrecadar. Na última década, aumentaram mais de 200%, parte nos bolsos de companheiros.
                   Pelas lágrimas derramadas ao se despedir do ex-ministro Luiz Sérgio, nas contas da presidente, importa mais manter a saúde da coalizão de seu governo.

Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa, @maryzaidan



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